sábado, maio 13, 2006

Um dia...







Um dia a maioria de nós irá separar-se.
Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora,
das descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos,
dos tantos risos e momentos que partilhamos.
Saudades até dos momentos de lágrimas, da angústia, das
vésperas dos finais de semana, dos finais de ano, enfim...
do companheirismo vivido.


Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre.
Hoje não tenho mais tanta certeza disso.


Em breve cada um vai para seu lado, seja
pelo destino ou por algum
desentendimento, segue a sua vida.
Talvez continuemos a nos encontrar, quem sabe... nas cartas
que trocaremos.

Podemos falar ao telefone e dizer algumas tolices...
Aí, os dias vão passar, meses... anos... até este contacto
se tornar cada vez mais raro.
Vamo-nos perder no tempo...

Um dia os nossos filhos verão as nossas fotografias e
perguntarão:
"Quem são aquelas pessoas?"

Diremos... que eram nossos amigos e... isso vai doer tanto!
-"Foram meus amigos, foi com eles que vivi tantos bons
anos da minha vida!"

A saudade vai apertar bem dentro do peito.
Vai dar vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente...

Quando o nosso grupo estiver incompleto...
reunir-nos-emos para um último adeus de um amigo.

E, entre lágrima abraçar-nos-emos.
Então faremos promessas de nos encontrar mais vezes
daquele dia em diante.
Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a
sua vida isolada do passado.

E perder-nos-emos no tempo...
Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não
deixes que a vida
passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de
grandes tempestades...

Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem
morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem
todos os meus amigos!"


Fernando Pessoa

quarta-feira, maio 10, 2006

A IDADE SECRETA

..."A sua língua transformou-me na lâmpada de Aladino. Ele está de joelhos diante de mim e eu sinto que poderia conceder-lhes qualquer desejo. Quanto aos meus, foi ele o génio que mos concedeu. Todos. Menos um.
Sou uma lâmpada de Aladino e quanto mais ele me esfrega mais lhe pertenço. Derreteu o meu sentido do dever, o meu sentido do ser. Sou apenas uma mulher à beira de si própria. Com os lábios abertos, os olhos abertos, a noite fechada"...
pag. 47

segunda-feira, maio 08, 2006

Reinvenção das avós


Uma avó é uma mulher que não tem filhos;
por isso gosta dos filhos dos outros.

As avós não têm nada que fazer, é só estarem ali.

Quando nos levam a passear, andam devagar
e não pisam as folhas bonitas nem as lagartas.

Nunca dizem: despacha-te!

Normalmente são gordas,
mesmo assim conseguem atar-nos os sapatos.

Sabem sempre que a gente quer mais uma fatia de bolo,
ou uma fatia maior.

Uma avó de verdade nunca bate numa criança;
zanga-se, mas a rir.

As avós usam óculos e às vezes até conseguem
tirar os dentes.

Quando lêem histórias nunca saltam bocados
e não se importam de contar a mesma
história várias vezes.

As avós são as únicas pessoas grandes
que têm sempre tempo.

Não são tão fracas como elas dizem,
apesar de morrerem mais vezes que nós.

Toda a gente deve fazer o possível por ter uma avó,
sobretudo se não tiver televisão.



Texto elaborado por um grupo de crianças de Genebra, com 8 anos de idade.

quarta-feira, maio 03, 2006

Tom Sawyer


Tom Sawyer é um menino traquina que reside numa pequena aldeia chamada S. Petersburg no estado de Ilinois nos EUA, em finais do século XIX. Ainda bébé os seus pais morreram, tendo ficado a morar com a tia Polly, mais o seu irmão Sid e a prima Maria. Ser pirata e descobrir tesouros é o seu sonho.
Para Tom a vida seria sempre uma aventura, a coisa que mais detesta é a de ter que ir à escola, de andar de sapatos e ao Domingo ter de ir à missa.
Quem não vai nesta cantiga é o professor, que está constantemente a repreender Tom com severos castigos, mesmo sem este ter culpa.
Tom faz tudo para conquistar o coração da sua amada, a Becky Tatcher, que também sente um fraquinho por ele.- As Viagens de Tom Sawyer
- Tom Sawyer Detective
Portugália Editora


-Huckleberry Finn
Este livro foi publicado pela antiga marca de refrigerantes Fruto Real.


Biblioteca Fruto Real. Para além das Aventuras de Tom Sawyer, Mark Twain escreveu outras histórias deste personagem e também de Hucleberry Finn. HuckIlustrações de: True W. Williams
Sid, Tia Polly, Maria e Tom




tom sawyer

terça-feira, abril 25, 2006

VIVA O DIA 25/4/74 - DIA DA LIBERTAÇÃO DE PORTUGAL

Vila Franca, 26/4/74

VIVA O DIA 25/4/74.
DIA DA LIBERTAÇÃO DE PORTUGAL



Minha muito querida eusouassim:

Escrevo-te num canto com a espingarda ao ombro. Canto esse que me abriga pois está frio e vento. São 4 horas da manhã. Tudo vai bem. Até agora não descansei um bocado, mas felizmente que estamos de prevenção por algo importante para nós.
Não posso escrever-te mais por hoje. Pensa em mim. Recebi hoje à tarde uma carta tua, em que pensas que vou aí, mas como o quartel está de prevenção por uma coisa que tu quando receberes esta carta já sabes.
Quantas saudades já tenho de ti. Falta pouco agora para te ver. Sinto-o
Beijos sem fim daquele que muito te ama e te traz sempre com ele em pensamento,

O TEU

ZL

AMO-TE.


(carta para eusouassim em plena revolução dos cravos)

...um para mim...outro para ti...















guarda-o dentro do teu ser...






P.S....porque no ar...ele já está envenenado...quem sabe pelo buraco do ozono...

Os silêncios da fala





São tantos

os silêncios da fala



De sede

De saliva

De suor



Silêncios de silex

no corpo do silêncio



Silêncios de vento

de mar

e de torpor



De amor



Depois, há as jarras

com rosas de silêncio



Os gemidos

nas camas



As ancas

O sabor



O silêncio que posto

em cima do silêncio

usurpa do silêncio o seu magro labor.


Maria Teresa Horta
in Vozes e Olhares no Feminino, Edições Afrontamento,
Porto 2001, pp. 40, 41

domingo, abril 23, 2006

O livro que escolho para este dia...uma ode à ternura...


O MEU PÉ DE LARANJA LIMA

"- O primeiro a escolher as árvores, será você.
Olhei os seus pés, os dedos saindo dos tamancos. Ele era uma velha árvore de raízes escuras. Era um pai-árvore. Mas uma árvore que eu quase não conhecia.
- Depois tem mais. Tão cedo não vão cortar o seu pé de Laranja Lima. Quando o cortarem você estará longe e nem sentirá.
Agarrei-me soluçando aos seus joelhos.
- Não adianta, Papai. Não adianta.
E olhando o seu rosto que também se encontrava cheio de lágrimas murmurei como um morto:
- Já cortaram, Papai, faz mais de uma semana que cortaram o meu pé de Laranja Lima."

Mauro de Vasconcelos


vai se emocionar, rir e chorar com esta linda e comovente história de um garoto de seis anos, chamado Zezé.

Pobre, sozinho, alegre, inteligente e principalmente por ser esperto demais aprende muito cedo o que é dor e saudade.

Tem além do carinho do seu amigo "Portuga", uma grande, fiel e confidente: a "Xururuca" - seu pé de laranja lima. É para ela que ele divide suas tristezas, travessuras, carências e fantasias.

vivó PORTO...carago!!


PORTO

sábado, abril 22, 2006

"Neologismo", do livro Belo Belo, de 1948:


Beijo pouco, falo menos ainda.
Mas invento palavras
Que traduzem a ternura mais funda
E mais cotidiana.
Inventei, por exemplo, o verbo teadorar.
Intransitivo:
Teadoro, Teodora.


Manuel Bandeira

sexta-feira, abril 14, 2006

JESUS NA CRUZ




(desenho de criança)
óleo de eusouassim

domingo, abril 09, 2006

e com estas... me deito...sem ser serenamente...


Irão

Folar da Páscoa




Ingredientes

100 g de manteiga ou de margarina;

1 colher de café de erva doce em pó;
15 g de fermento de padeiro ;
3 colheres de sopa de açúcar;
1colher de café de canela;
1 colher de café de sal fino;
2,5 dl de leite;
ovos cozidos;
500 g de farinha;
2ovos pequenos.

Modo de preparar


Dissolve-se o fermento de padeiro num pouco de leite morno e com 100 g de farinha tirada do peso total e uma colher de açúcar, também tirada da quantidade total, faz-se uma massa. Deixa-se levedar durante cerca de 20 minutos em sítio aquecido.

Entretanto, amassa-se a restante farinha com os ovos, o açúcar e o leite até se obter uma massa muito leve, bem arejada, mas com bastante corpo. Adiciona-se depois a margarina derretida, o sal, a erva doce e a canela. Mistura-se bem e junta-se à massa de fermento levedada. Amassa-se até a massa se desprender das mãos e do alguidar. Cobre-se com um pano e envolve-se o alguidar num cobertor. Deixa-se levedar durante 2 a 5 horas em sítio aquecido (o tempo de crescimento depende da temperatura ambiente).

Depois divide-se a massa em bolas ou molda-se numa só. Achata-se um pouco e colocam-se sobre ela um ou mais ovos cozidos, conforme o tamanho da massa. Prendem-se os ovos com algumas tirinhas de massa. Pincela-se com gema de ovo e leva-se a cozer em forno bem quente.

(Não se deve levedar a massa no forno, mesmo muito brando, pois pode tornar-se amarga).

OVO


...."o ovo participa também do simbolismo dos valores de repouso, como a casa, o ninho,a concha, o seio da mãe. Mas no interior da concha, como no seio, simbólico da mãe, actua a dialética do ser livre e do ser acorrentado. O ser vivo a sair desta doce segurança: o pintainho quebra a sua casca suave e quente. O ovo, tal como a mãe, tornar-se-á o símbolo dos conflitos interiores entre o burguês âvido de conforto e o aventureiro apaixonado pelos desafios que dormem no homem..."...

Domingo de Ramos





Podemos dizer que a semana da Páscoa começa com o Domingo de Ramos.
A festa dos ramos relembra o dia em que Jesus entrou festivamente em Jerusalém, pouco antes de sua morte.
Jesus nascera em Belém, na Judéia, mas passara a maior parte de sua vida na Galiléia, em Nazaré, Cafarnaum e outras cidades, fazendo sua pregação sobre o Reino de Deus e divulgando sua doutrina de amor. Poucos dias antes de ser preso, julgado e condenado à morte, Jesus dirigiu-se a Jerusalém com seus discípulos, justamente para comemorar a Páscoa ( a Páscoa judaica ). Pois foi nesse dia que o povo o aclamou nas ruas, agitando no ar ramos de palmeira e oliveira, e gritando "Hosana ( que quer dizer " Salve!") ao Filho de Davi".
Chamamos de entrada triunfal de Jesus em Jerusalém para cumprir seu mistério pascal, a realidade era de maioria camponês, eis a razão dos ramos. Levantar os ramos e aclamar com alegria é a maneira do povo expressar o reconhecimento régio e messiânico de Jesus.

sábado, abril 08, 2006

...olá mãe...(a mãe comigo na barriga...)






desenho de criança
óleo de eusouassim

É Actuando que Devemos Abandonar

Eu odeio, no fundo, toda a moral que diz: «Não faças isto, não faças aquilo. Renuncia. Domina-te...». Gosto, pelo contrário, da moral que me leva a fazer uma coisa, a refazê-la, a pensar nela de manhã à noite, a sonhar com ela durante a noite, e a não ter jamais outra preocupação que não seja fazê-la bem, tão bem quanto for capaz entre todos os homens. A viver assim despojamo-nos, uma a uma, de todas as preocupações que não têm nada a ver com esta vida: vê-se sem ódio nem repugnância desaparecer hoje isto, amanhã aquilo, folhas amarelas que o menor sopro um pouco vivo solta da árvore; ou mesmo nem sequer se dá por isso, de tal modo o objectivo absorve o olhar, de tal modo o olhar se obstina em ver para diante, não se desviando nunca, nem para a direita nem para a esquerda, nem para cima nem para baixo. «É a nossa actividade que deve determinar o que temos de abandonar; é actuando que deixaremos», eis o que amo, eis o meu próprio placitum! Mas eu não quero trabalhar para me empobrecer mantendo os olhos abertos, não quero essas virtudes negativas que têm por essência a negação e a renúncia.

Friedrich Nietzsche, in 'A Gaia Ciência'

...mas como ele...ainda...me estou a arranjar...:))



momentinhosdeeusouassim

...mas vou ficar melhor a olhar o...







foto de eusouassim

...hoje...ainda estou assim..como o safiro...










foto minha...

sexta-feira, abril 07, 2006

Fernando Pessoa

foto de eusouassim




Não tenho ambições nem desejos.
ser poeta não é uma ambição minha.
É a minha maneira de estar sózinho.
...

Ou quando uma nuvem passa a mão por cima da luz
E corre um silêncio pela erva fora.
...
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe porque ama, nem sabe o que é amar...
...

Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver do Universo...
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer,
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura...
...

A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as coisas.
Aponta-me todas as coisas que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando a gente as tem na mão
E olha devagar para elas.

sexta-feira, março 24, 2006

Redução de colesterol diminui risco de doença cardíaca


Uma redução da taxa de colesterol, mesmo que pequena, diminui fortemente o risco de doença cardiovascular, indica um estudo genético hoje publicado numa revista médica norte-americana.



A investigação, realizada com mais de 12.000 pessoas brancas e negras, mostrou que uma redução de apenas 15 por cento da taxa de LDL (conhecido como o «mau colesterol») durante um período prolongado pode fazer baixar acentuadamente o risco de doença coronária, segundo o New England Journal of Medicine.
Esta diminuição de LDL pode ser facilmente obtida tomando pequenas doses de medicamentos à base de estatinas, sublinham os investigadores.

O estudo confirma que uma redução moderada do colesterol tem efeitos protectores mesmo em pessoas que tenham outros factores de risco cardiovasculares importantes, como o hábito de fumar.

O trabalho «mostra sobretudo que um nível mais baixo de LDL teve um efeito espectacular na incidência de acidentes coronários durante um período de 15 anos», sublinhou Helen Hobbs, do Howard Hughes Medical Institute da Universidade do Sul do Texas, autora principal do estudo.

A investigação foi feita «com pessoas que viviam nos mesmos locais, sob a mesma intensidade de stress e com os mesmos riscos importantes de doenças cardiovasculares, como a hipertensão, a diabetes e o tabagismo», explicou.

O colesterol LDL é uma substância cerosa formada no fígado e no intestino que pode acumular-se e obstruir as artérias, sendo um factor essencial no desencadear e na progressão das doenças coronárias, lembram os médicos.

A taxa de LDL no sangue varia consideravelmente de pessoa para pessoa, já que é determinado por uma combinação complexa de factores genéticos e ligados ao ambiente.

«Não há dúvidas de que uma dieta rica em gordura pode causar uma acumulação gradual de LDL durante uma vida, mas cerca de 50 por cento da variação do colesterol pode ser atribuída a factores genéticos», afirmou Helen Hobbs.

«Foram já identificados oito genes com influência na taxa de LDL e existirão provavelmente muitos outros», concluiu.

Diário Digital / Lusa

colesterol

Medicamento pode inverter efeitos da doença de Alzheimer


Um medicamento com o nome genérico de donepezilo pode inverter os efeitos da doença de Alzheimer nos pacientes mais gravemente afectados, segundo um estudo hoje publicado pela revista médica britânica The Lancet.



O estudo foi realizado por médicos do prestigioso Instituto Karolinska, da Suécia, que compararam o efeito do donepezilo (disponível em Portugal) em 99 pacientes a quem foi administrado o fármaco durante seis meses e noutros 95 tratados só com um placebo.
Todos sofriam de demência severa, uma condição que afecta um em cada cinco doentes de Alzheimer.

«O nosso estudo demonstra que o donepezilo pode melhorar as faculdades cognitivas e conservar essas funções nos pacientes afectados por Alzheimer grave», afirmam os autores do estudo.

Uma preocupação dos estudiosos de Alzheimer é que os tratamentos com fármacos podem permitir a sobrevivência do paciente num estado de demência e prolongar assim desnecessariamente o seu sofrimento.

«A administração prolongada de inibidores de colinesterase (de que é exemplo este fármaco) não afecta a sobrevivência», dizem os autores do estudo.

No seu entendimento, «este tratamento deveria ser uma opção disponível porque pode ajudar os pacientes em fase avançada de demência sem prolongar desnecessariamente o tempo em que sofrerão de Alzheimer grave».

Diário Digital / Lusa

Alzheimer

quinta-feira, março 23, 2006

Armário



Eu queria, senhora, ser o seu armário
e guardar os seus tesouros como um corsário
Que coisa louca: ser seu guarda-roupa!
Alguma coisa sólida circunspecta
e pesada nessa sua vida tão estabanada.
Um amigo de lei (de que madeira eu não sei)
Um sentinela do seu leito com todo o respeito.
Ah, ter gavetinhas para suas argolinhas
Ter um vão para seu camisolão e sentir o seu cheiro, senhora, o dia inteiro
Meus nichos como bichos engoliriam suas meias-calças,
seus soutiens sem alças, e tirariam
nacos dos seus casacos,
E no meu chão,como trufas, as suas pantufas...
Seus echarpes, seus jeans, seus longos e afins
Seus trastes e contrastes.
Aquele vestido com asa e aquele de andar em casa.
Um turbante antigo. Um pulôver amigo. Bonecas de pano.
Um brinco cigano.Um chapéu de aba larga.
Um isqueiro sem carga.Suéteres de lã e um estranho astracã.
Ah, vê-la se vendo no meu espelho, correndo.
Puxando, sem dores, os meus puxadores.
Mexendo com o meu interior à procura de um pregador.
Desarrumando meu ser por um prêt-à-porter...
Ser o seu segredo,senhora, e o seu medo.
E sufocar com agravantes todos os seus amantes.


Luís Fernando Veríssimo

quarta-feira, março 22, 2006

gotinhas...




gotinhas de água...

...."a água pode ser boa para o coração..."



...."o que torna belo o deserto, disse o principezinho, é que ele esconde um poço nalgum lugar"
...."essa água era muito mais que um alimento. Nascera da caminhada sob as estrelas, do canto da roldana, do esforço do meu braço. Era boa para o coração, como um presente


"O Pequeno Príncipe" de Antoine de Saint-Exupéry :

terça-feira, março 21, 2006

pérola...lágrima do mar...


acordei!...
sonhei com pérolas...
perfeitas...

daquelas muito

raras...
símbolo do conhecimento
velado

(ocultas
no interior
das
conchas)

queria encontrar-te...

(verdade suprema...)

na tua casa

(dentro de uma pérola...
ocultando
a tua
essência...)

e

as ondas do
mar
a

guardar-te

e por entre mares
e por entre
as ondas

e com

GRANDE
...esforço
tu
emerges...

e como no texto
(Paleocristão-"Psicologus"...)

..."Há uma concha no mar que leva
o nome de concha porque ELA emerge do fundo do mar...abre a sua boca e bebe o orvalho e o raio de sol, da lua, e das estrelas, e por intermédio desses SUPERIORES produz a pérola"...

encontrei-te!...
pura...
preciosa...
bela e límpida...
cheia de magia...

à volta da tua
concha

uma estrela cadente...
linda!...

e a acreditar

.....................no ditado popular (Europa Ocidental)

"As pérolas acreditemos trazem-nos lágrimas
prateadas, lua, mas são lágrimas de alegria"

minha...
pérola...
afrodisíaca...
Amor...meu...
pérola...minha...

Amo-te!...

.............................não me desiludas...
.............................não sejas... um engano...
............e te..........................transformes... em pér... de......cultura...

PS. Vou Ter um cuidado...
muito especial...
............................com "tu"..

................................minha pérola...

tenho que te guardar...
...............................
................................separadamente.................
das outras...
....................jóias...

...envolvida...

................................em seda...............

....................natural.......................

e dentro do meu "cofrezinho"...

no sítio...

mais...escondidinho...

mais recôndito...

do meu pulsar...
do que me faz ... viver...e me faz viver...

................................................o meu...
........................................................coração...........

e do qual só eu
tenho chave e sei o código...para
entrar...

.............só não sei quando pode parar...mas levará de certo... "tu"

..............................a pérola...

...e se isso acontecer... junta-lhe um

....................pampilho!...


eusouassim
in AMERICANA

quarta-feira, março 15, 2006

...do lado de lá de Gaia...o Porto continua envolvido em luzes de ribalta...




foto de eusouassim

Personalidade Psicopática Amoral


O prof. Eunofre Marques adota a denominação de Personalidade Psicopática Amoral (ou, simplesmente, PP). Diz ele:

" O PP amoral é um indivíduo incapaz de incorporar valores. Ele funciona sempre na relação prazer-desprazer imediato.

São indivíduos incapazes de se integrar a qualquer grupo, devido ao seu egoísmo absoluto e a não aceitarem qualquer tipo de regras. Só o que eles querem é o que interessa. No início, eles até fazem amizades com facilidade mas, diante dos primeiros conflitos, a sua amoralidade aparece em todo o seu potencial. Terminam por ser rejeitados pelos grupos em pouco tempo. São, por isso, em geral indivíduos solitários, que migram de grupo em grupo até que não restem mais grupos para os aceitarem"

Hipocrisia Extrema




Há numerosos indivíduos civilizados que recuariam aterrados perante a ideia do assassínio ou do incesto, mas que não desdenham satisfazer a sua cupidez, a sua agressividade, as suas cobiças sexuais, que não hesitam em prejudicar os seus semelhantes por meio da mentira, do engano, da calúnia, contanto que o possam fazer com impunidade.

Sigmund Freud, in 'As Palavras de Freud'

A Hipocrisia do Ser

Para que servem esses píncaros elevados da filosofia, em cima dos quais nenhum ser humano se pode colocar, e essas regras que excedem a nossa prática e as nossas forças? Vejo frequentes vezes proporem-nos modelos de vida que nem quem os propõe nem os seus auditores têm alguma esperança de seguir ou, o que é pior, desejo de o fazer. Da mesma folha de papel onde acabou de escrever uma sentença de condenação de um adultério, o juiz rasga um pedaço para enviar um bilhetinho amoroso à mulher de um colega. Aquela com quem acabais de ilicitamente dar uma cambalhota, pouco depois e na vossa própria presença, bradará contra uma similar transgressão de uma sua amiga com mais severidade que o faria Pórcia.

E há quem condene homens à morte por crimes que nem sequer considera transgressões. Quando jovem, vi um gentil-homem apresentar ao povo, com uma mão, versos de notável beleza e licenciosidade, e com outra, a mais belicosa reforma teológica de que o mundo, de há muito àquela parte, teve notícia.
Assim vão os homens. Deixa-se que as leis e os preceitos sigam o seu caminho: nós tomamos outro, não só por desregramento de costumes, mas também frequentemente por termos opiniões e juízos que lhes são contrários.

Michel de Montaigne, in 'Ensaios - Da Vaidade'

O Sofrimento do Hipócrita




Ter mentido é ter sofrido. 0 hipócrita é um paciente na dupla acepção da palavra; calcula um triunfo e sofre um suplício. A premeditação indefinida de uma ação ruim, acompanhada por doses de austeridade, a infâmia interior temperada de excelente reputação, enganar continuadamente, não ser jamais quem é, fazer ilusão, é uma fadiga. Compor a candura com todos os elementos negros que trabalham no cérebro, querer devorar os que o veneram, acariciar, reter-se, reprimir-se, estar sempre alerta, espiar constantemente, compor o rosto do crime latente, fazer da disformidade uma beleza, fabricar uma perfeição com a perversidade, fazer cócegas com o punhal, por açúcar no veneno, velar na franqueza do gesto e na música da voz, não ter o próprio olhar, nada mais difícil, nada mais doloroso. 0 odioso da hipocrisia começa obscuramente no hipócrita. Causa náuseas beber perpétuamente a impostura. A meiguice com que a astúcia disfarça a malvadez repugna ao malvado, continuamente obrigado a trazer essa mistura na boca, e há momentos de enjôo em que o hipócrita vomita quase o seu pensamento. Engolir essa saliva é coisa horrível. Ajuntai a isto o profundo orgulho. Existem horas estranhas em que o hipócrita se estima. Há um eu desmedido no impostor. 0 verme resvala como o dragão e como ele retesa-se e levanta-se. 0 traidor não é mais que um déspota tolhido que não pode fazer a sua vontade senão resignando-se ao segundo papel. É a mesquinhez capaz da enormidade. 0 hipócrita é um titã-anão.

Victor Hugo, in 'Os Trabalhadores do Mar'

quarta-feira, março 08, 2006

terça-feira, março 07, 2006

O Dia em que troquei o meu pai por dois peixinhos vermelhos


Neil Gaiman e Dave McKean juntaram-se em boa hora para escrever um daqueles livros que os adultos compram desculpabilizados com a desculpa de ser para as crianças: O Dia em que troquei o meu pai por dois peixinhos vermelhos. A história é muito simples, à falta de cromos, um menino resolve trocar um pai que passa o tempo todo a ler o jornal. O problema é que a mãe não está muito pelos ajustes. E o segundo problema é destrocar todas as trocas sucessivas.

Neil Gaiman e Dave McKean, O Dia em que troquei o meu pai por dois peixinhos vermelhos, Vitamina BD / Devir Livraria, Lda., 56 págs., 15.00E

..eu gosto de barquinhos de papel...


...levam-me por entre ondulados de azul..onde saltitam peixinhos vermelhos....

domingo, março 05, 2006

A Sociedade é um Sistema de Egoísmos Maleáveis



A sociedade é um sistema de egoísmos maleáveis, de concorrências intermitentes. Como homem é, ao mesmo tempo, um ente individual e um ente social. Como indivíduo, distingue-se de todos os outros homens; e, porque se distingue, opõe-se-lhes. Como sociável, parece-se com todos os outros homens; e, porque se parece, agrega-se-lhes. A vida social do homem divide-se, pois, em duas partes: uma parte individual, em que é concorrente dos outros, e tem que estar na defensiva e na ofensiva perante eles; e uma parte social, em que é semelhante dos outros, e tem tão-somente que ser-lhes útil e agradável. Para estar na defensiva ou na ofensiva, tem ele que ver claramente o que os outros realmente são e o que realmente fazem, e não o que deveriam ser ou o que seria bom que fizessem. Para lhes ser útil ou agradável, tem que consultar simplesmente a sua mera natureza de homens.

A exacerbação, em qualquer homem, de um ou o outro destes elementos leva à ruína integral desse homem, e, portanto, à própria frustração do intuito do elemento predominante, que, como é parte do homem, cai com a queda dele. Um indivíduo que conduza a sua vida em linhas de uma moral altíssima e pura acabará por ser ultrajado por toda a gente - até pelos indivíduos que, sendo também morais, o são com menos altura e pureza. E o despeito, a amargura, a desilusão, que corroem a natureza moral, serão os resultados da sua experiência. Mas também um indivíduo, que conduza a sua vida em linhas de um embuste constante, acabará, ou na cadeia, onde há pouco que intrujar, ou por se tornar suspeito a todos e por isso já não poder intrujar ninguém.

'
Fernando Pessoa, in 'Os Preceitos Práticos em Geral e os de Henry Ford em Particular'

...travessias de deserto...

...em tempo de Quaresma...vou ver se não me deixo encantar por uma serpente...

sábado, fevereiro 18, 2006

inesperado


Ela estava deitada....meia coberta pela bata branca...de pernas abertas...
olhando para o lado ...atenta...
às imagens estranhas...que o médico observava....
então?...perguntou ela...
e ele impávido sereno e de sorriso doce...
nunca mais engravida...
ela...
achava que ele dizia aquilo... pensando que ela ficava satisfeita...pois seria mais livre...e que não lhe iria causar uma revolução...
... na doçura do que é sentir algo dentro de si...
dar de mamar...
e quem sabe esperar pelo príncipe...
... e querer ter algo dele....

afinal isso já foi...ou era...

...algo mudava ...quase sem ter dado conta...
era um aperto...
uma facada...
no seu sentir...

a morte do puder criar dentro de si...

terça-feira, fevereiro 14, 2006

História de São Valentim

Existem várias teorias relativas à origem de São Valentim e à forma como este mártir romano se tornou o patrono dos apaixonados. Uma das histórias retrata o São Valentim como um simples mártir que, em meados do séc. III d.C., havia recusado abdicar da fé cristã que professava. Outra defende que, na mesma altura, o Imperador Romano Claudius II teria proibido os casamentos, para assim angariar mais soldados para as suas frentes de batalha. Um sacerdote da época, de nome Valentim, teria violado este decreto imperial e realizava casamentos em sigilo absoluto. Este segredo teria sido descoberto e Valentim teria sido preso, torturado e condenado à morte. Ambas as teorias apresentam factores em comum, o que nos leva a acreditar neles: São Valentim fora um sacerdote cristão e um mártir que teria sido morto a 14 de Fevereiro de 269 d.C.

Quanto à data, algumas pessoas acreditam que se comemora neste dia por ter sido a data da morte de São Valentim. No entanto, outros reivindicam que a Igreja Católica pode ter decidido celebrar a ocasião nesta data como uma forma de cristianizar as celebrações pagãs da Lupercalia. Isto porque, na Antiga Roma, Fevereiro era o mês oficial do início da Primavera e era considerado um tempo de purificação. O dia 14 de Fevereiro era o dia dedicado à Deusa Juno que, para além de rainha de todos os Deuses, era também, para os romanos, a Deusa das mulheres e do casamento. No dia seguinte, 15 de Fevereiro, iniciava-se assim a Lupercalia que celebrava o amor e a juventude. No decorrer desta festa, sorteavam-se os nomes dos apaixonados que teriam de ficar juntos enquanto durasse o festival. Muitas vezes, estes casais apaixonavam-se e casavam. No entanto, e como aconteceu com muitas outras festas pagãs, também a Lupercalia foi um 'alvo a abater' pelo cristianismo primitivo. Numa tentativa de fazer uma transição entre paganismo e cristianismo, os primeiros cristãos substituíram os nomes dos enamorados dos jogos da Lupercalia por nomes de santos e mártires. Assim, conciliavam as festividades com a religião que professavam, aumentando a aceitabilidade por parte dos Romanos. São Valentim não foi excepção e, como tinha sido morto a 14 de Fevereiro, nada melhor para fazer uma adaptação da Lupercalia ao cristianismo, tornando-o como o patrono dos enamorados.

Tradições do Dia de São Valentim

Muitas são as tradições associadas ao dia de São Valentim, variando de país para país.
Por exemplo, nas Ilhas Britânicas na altura dos Celtas, as crianças costumavam vestir-se de adultos e cantavam de porta em porta, celebrando o amor; no actual País de Gales, os apaixonados trocavam entre si prendas como colheres de madeira com corações gravados, chaves e fechaduras, o que significava «Só tu tens a chave do meu coração».
Já na Idade Média, em França e na actual Inglaterra, no dia 14 de Fevereiro, os jovens sorteavam os nomes dos seus pares e estes eram cosidos nas mangas durante uma semana. Se alguém trouxesse um coração costurado na camisola, isso significava que essa pessoa estava apaixonada.
Ao longo dos tempos, as tradições de São Valentim foram adquirindo um grau de complexidade cada vez maior. A cada ano que passava, foram-se criando novas tradições, lendas e brincadeiras, como é o caso das mensagens apaixonadas.
A tradicional troca de cartões, cartas e bilhetes apaixonados no dia 14 de Fevereiro teve origem na altura da própria lenda de São Valentim, quando este teria deixado um bilhete à filha do seu carcereiro. No entanto, não há qualquer facto que comprove esta lenda.
Porém, é certo que, no século XV, Charles, o jovem duque de Orleães, terá sido o primeiro a utilizar cartões de São Valentim. Isto porque, enquanto esteve aprisionado na Tower of London, após a batalha de Agincourt em 1945, terá enviado, por altura do São Valentim, vários poemas e bilhetes de amor à sua mulher que se encontrava em França.
Durante o século XVII sabe-se que era costume os enamorados escreverem poemas originais, ou não, em pequenos cartões que enviavam às pessoas por quem estavam apaixonados. Mas, foi a partir de 1840, na Inglaterra vitoriana, que as mensagens de São Valentim passaram a ser uniformizadas. Os cartões passaram a ser enfeitados com fitas de tecido e papel especial e continham escritos que ainda hoje nos são familiares, como é o caso de «would you be my Valentine».
Nos dias de hoje, é entre os mais novos que estas mensagens de São Valentim são mais populares, sendo uma forma de expressarem as suas paixões.


cupido

domingo, fevereiro 12, 2006

in CITADOR

"A paixão, e o amor, não entram no jogo da facilidade nem dos lugares-comuns. Ou seja, é preciso mais imaginação, mais investimento, mais criatividade, mais vontade de não ficar quieto e parado no mesmo sítio para sentir de novo borboletas na barriga e as pernas tremer. É preciso espantar-se a si mesmo, ao outro e aos respectivos cérebros."


Stilwell, Isabel, Notícias Magazine (DN), em 20060212