quinta-feira, novembro 24, 2005

..a canela...


No Livro dos Provérbios da Sagrada Escritura, por muitos atribuído a Salomão, no versículo "As Seduções da Adúltera", é feita a seguinte referência à canela:
"Adornei a minha cama com cobertas, com colchas bordadas de linho do Egipto.
Perfumei o meu leito com mirra, alóes e cinamomo ...
Vem ! Embriaguemo-nos de amor até ao amanhecer,
Porque o meu marido não está em casa;
Que o teu coração não se deixe arrastar pelos caminhos dessa mulher,
A sua casa é o caminho para a sepultura,
Que conduz à mansão da morte".

sábado, novembro 19, 2005

...barquinhos de papel a navegar em mares de lápis lazuli...




penso em sabores

sabores de ti...

doces ternurentos

a irradiar odores

taninos do teu olhar...

...ainda do árabe ellionor (Deus é a minha luz)...


...do latin lenire (acalmar). É um nome tipicamente medieval (no Português medieval era Alionor e Alienor, depois Lianor,usado por Camões)que foi usado por muitas rainhas...

Torre da Princesa

A Torre da Princesa ergue-se no recinto do Castelo, marginando as muralhas da velha fortaleza, e, por não se saber a origem da sua denominação, tem dado aso a muitas lendas.
Uma delas diz que o duque de Bragança, D. Jaime, encerrou a linda Leonor, aquela que depois mandará matar com requintes de barbaridade, no castelo de Vila Viçosa.
Outra lenda remonta aos tempos dos descendentes de D. Fernão, o Bravo, que deu em casamento ao Conquistador sua irmã, D. Sancha, princesa que viveu e sofreu nesta torre um amor mal interpretado pelo seu marido.
Outra ainda, diz respeito à filha do alcaide-mor, João Afonso Pimentel, cunhado da rainha D. Leonor Teles, de nome D. Brites, alma pura e cândida, de grande beleza, que segundo reza a lenda, encantava e enfeitiçava quem via e a quem seu marido assassinara injustamente. Esta morte trágica impressionou a população que mostrava por ela grande amor e carinho, e daí, o espírito e fantasia da gente do tempo, pintaram ou teceram em redor de um acontecimento tão cruel, uma poética narrativa.
Sabe-se que não tinha fins militares mas que era unicamente uma dependência da casa dos governadores ou alcaides.

(Bragança)

sexta-feira, novembro 18, 2005

"Dios es mi luz"...

Sólo 77 ninãs en toda España fueron inscritas en el registro civil con el nombre Leonor el año pasado.El nombre que han elegido los príncipes de asturias para su primeira hija es tan poco habitual que no aparece ni de lejos entre los 150 más comunes.El año pasado, el nombre femenino más común fue lucía,con 10.370 registros.es muy probable que leonor suba entre las preferencias de los españoles a partir de hoy.

la etimologia de leonor remite a una derivación de eleonor.el nombre también está considerado como la forma femenina de león.además,se le atribuye raigambre árabe,con el significado "dios es mi luz".

terça-feira, novembro 15, 2005

...já encontrei o chapéu...


...falta o vestido e as joias...



para ir à festa da leonor...

leonor

quinta-feira, novembro 10, 2005

O Porto...

O Porto tem estas cores...
de encanto
em dias de chuva misturada com o sol

embriagado em jeropiga a tentar enamorar o casario...

em magustos de S. Martinho



o Porto

terça-feira, novembro 08, 2005

Dor

A imensidão das estrelas
lá, intactas, dói...
Assim como amar você,
se vê as estrelas e
não se pode tocar,
você as quer e não pode alcançá-las.
Te amar é te sentir
tão perto e tão distante
num singular único momento
que, intactamente, dói
parado, guardado aqui dentro
você está longemente tão lá
que aqui há sentimentos eqüidistantes
na ambigüidade do meu ser.

Eqüidistantemente ligadas
as dores minhas, mais do que nunca,
doem... só de tê-las longe e dentro e
imaginar seu rosto, sorriso feliz, único como você
faz doer tudo aqui
Se isso é amor
que doa todo dia em mim
pois, sei que essa dor
vale a pena por você
até o meu lisonjeado fim.

Luís Fernando Veríssimo

domingo, novembro 06, 2005

todas as estrelas vão chorar...


...esta noite todas as estrelas do firmamento vão deixar cair gotinhas...

...meus olhos de lago....



vou fazer barquinhos de papel a brincar com peixinhos vermelhos...


e tentar distrair a distancia em pinceladas de vazios... a navegar


talvez a embriaguez do estado de alma... ganhe asas...

... cavalgue em segundos

e ancore junto do teu lugar...

sábado, novembro 05, 2005

...a lua esteve vestida de amarelo....


...hoje vesti a lua de amarelo...

e pisquei-lhe o olho... pela noite dentro...
cantei-lhe uma canção de embalar...aquelas que só o silêncio sabe encontrar...


havia violinos sentados... nas estrelas


e tambores que ao longe anunciavam festa...
cálices que salteavam entre os raios... linhas de luz expectantes...

que brindavam ao amor entre infinitos de desejo...

#####################################################


P.S....aproveitando a bela lua do querido Luíz


(...lua minha)

OI Lolita vai para ti a lua que eu aprisionei da minha janela essa
madrugada (camera digital com lente 500mm, t: 400, f:8 ) Vai ficando fácil
render a lua. A lua hoje é outra, mais oferecida, menos discreta, cansada de
tanta "exploração".
Beijos.

Achutti

terça-feira, novembro 01, 2005

...já andam por aí fumos...



foto

as castanhas já andam por aí
espreitam em fuminhos que me confundem os pensamentos...
batem à porta... de gavetas da mente... que entreabrem
suspiros em o lás de bom dia e sorrisos guardados...
entre diospiros laranja de fins de tarde outonais...


eu gosto dos assadores de castanhas
aqui no Porto

gosto do embrulho em saquinhos de jornal


que tb me fazem lembrar o chapéu à chinesa
que o Pai fazia...
quando me levava ao futebol onde também ...

havia castanhas assadas com cheiro a ternuras...

e eram o presente do fim do jogo

e

o obrigado pela companhia...

sábado, outubro 22, 2005

...brincar às casinhas

quando eu jogava ao pião
quando eu jogava à piasca
quando eu pegava na fisga
e atirava no imaginar

ao pássaro...

quando eu embalava a boneca
quando eu dava banho à boneca
quando eu chorava porque a boneca

s
e d
e
sfez...

quando eu costurava o vestido

da boneca
quando eu fazia comidinha
e ateava...o fogão a lenha
quando eu passava a ferro
quando eu corria para a janela
que o "papá" estava a chegar...
no seu novo "carro" a pedais...

enfim!...

quando eu brincava às casinhas

oh!

como era bom

brincar às casinhas!...

PS.
que saudades!
que bom que é recordar!
que bom que é
fazer girar o pião, olhando


o d e s e n r o l a r


da guita...

tão rápido...

e rodopia o pião...

que bom é embalar
o passado nos braços de hoje!

no Porto ainda há piões à venda no Bolhão



Outono


Os sábados de Outono

aqui no Porto

são inquietantes

pelas nervuras laranja das suas folhas envolvendo a mente


têm sempre o mesmo perfil da folha caduca


em tons de ondulação

de cores quentes


e chuva miudinha


que agasalha os sonhos

em telas de lareira de fogo que arde
em crepitações


de êxtase

devagar
devagarinho

e aquecem a minha alma

em agasalhos onde se ouvem historias de "xururucas"

a brincar em pé de laranja lima

quarta-feira, outubro 19, 2005

...hoje está chuva aqui no Porto....



e a chuva já faz os seus estragos
nos meus cabelos desprotegidos...
de qualquer forma o que importa não são os cabelos
são as ideias refrescadas... de folhas caídas...
que tentam pousar tipo chapéu


eu gosto de chapéu
e de boinas com botões antigos
espetados em tom de alfinete
e me fazem lembrar a arte nova que enfeita a minha alma do antigamente...

domingo, outubro 16, 2005

...tanto ELE...


Ele é buraco do ozono
Ele é efeito de estufa
Ele é corrupção
Ele é pedofilia
Ele é aumentos
Ele é economia em recessão
Ele é atentados
Ele é ataques
Ele é invasões
Ele é tsunamis
Ele é tremores de terra
Ele é fome
Ele é sede
Ele é filhos sem mães
Ele é vida dura
Ele é pensões de miséria
Ele é ordenado em atraso
Ele é fábricas a fechar
Ele é desemprego
Ele é greve
Ele é ataques a funcionários públicos
Ele é doenças sem cura
Ele é alzeimer

Ele é político corrupto
Ele é reforma aos 65


Ele é gripe das aves


Ele o melhor é não ligar a tv

Ele o melhor é não ler os jornais


Ele o melhor é não acordar...

terça-feira, outubro 11, 2005

sábado, setembro 24, 2005

...às vezes o pai ralhava e a mãe também...pois era uma delícia...se fosse no tempo em que a noitinha...espreitava as VIRTUDES...


...a fuga de mim...


enfiava a cabeça naqueles buracos...da varanda que tinha desenhos lindos


e


um cheiro especial...quando chovia...ferro quente...



e chorava olhando o rio....


e então as lágrimas....


faziam-me ver efeitos especiais...que saltitavam...


e me davam vontade de puxar...mais e mais...


e lá vinham mais lágrimas----

e hoje sei que era um verdadeiro efeito de caleidoscópio....

assim: inventava o ralhete...

fazia por ele...


principalmente ao escuro... quando me enamorava

do Douro


a cintilar ribaltas...e ainda não tinha acordado


com o canto das rolas...

domingo, setembro 18, 2005

...mas agora vou deixar o bolhão...o galo...e as suas virtudes...


...e vou às outras....VIRTUDES...


...onde nasci e vivi...

até aos 8 anos....


...e nunca saí em saudades...

e


onde as pombas e as rolas...do avô...

... namoravam o rio...


e a minha mãe me embalava

numa sublime varanda em ferro


que já era...

quinta-feira, setembro 15, 2005

...afinal não há galo...porque faz sopa dura...

...mas ele acorda sempre o Bolhão...


e nunca deixa de se


vestir...com as suas peças favoritas...o seu guarda roupa das virtudes...



(estamos a falar do (GALO...))




...os sapatos da confiança...que calça...de forma segura anunciando o nascer do sol...

...a camisa militar...que...aperta com a postura da espora...


...as calças da bondade...que partilha com as galinhas...


....mais o chapéu e pena...pintado a virtudes civis...que coloca...com um furo no meio....


...por onde sai uma bela crista de aspecto mandarínico...


...cheia de coragem anunciando o seu comportamento em combate na sua luta de GALOS...

terça-feira, setembro 13, 2005

...já foi comido o arroz mas ainda vamos na galinha...


...os galinheiros no Bolhão ainda têm galinhas e galos em cestos de verga cobertos com abobadas fiadas em arame...


enfeitados de palha cara... e quase em extinção no momento...

também há o talho que só vende galinhas que ainda têm ovos..

prontos para a canja com todos...

- A GALINHA QUE CANTA COMO O GALO CORTA-SE-LHE O GARGALO - lá diz o ditado...

acompanhamento... com massas de letrinhas a cacarejar... por um prato melhor...

uns cacarejam VISTA ALEGRE...

outros cantam VIÚVA DE LAMEGO...


não sei se as galinhas foram mortas viúvas

o galo é que não aparece


mas eu gosto é de galos de crista bem alta e vermelhinha...


a


tocar quase no céu


e a cocoriar



sim porque no Bolhão o céu é aberto...


e as


gaivotas morrem de pé e pipilam sorrindo...

domingo, setembro 11, 2005

...pois é...facadas para mim...facadas para ti...facadas para eles....


...elas são para mim...para ti...para eles...
tentam ser..enviadas de mansinho...


elas são no matrimónio, no património no peito
no frango... no pescoço...na

galinha que salta sem ele... ao encontro...do...

arroz de cabidela...claro!!!!


...a faca é o instrumento essencial dos sacrifícios em muitas provas iniciáticas, a começar pela circuncisão...o sacerdote tira.a da bainha da mesma forma que o pénis do circunciso irá sair do prepúcio...

mas estas são outras facadas..



eu gosto é da faca

a cortar pão de centeio com manteiga dos Açores...


e é verdade P.S. essas dadas para a alma têm retorno...

e é melhor não pensar na ideia da execução, na morte ou vingança ou sacrifício...(a mão armada de Abraão prestes a sacrificar Isac...)

sábado, setembro 10, 2005

andam poraímuitos gatunos...


...por isso tenho que parar a história por aqui...

prometo publicar mais um pouquinho dela...


mas agora vou recomeçar no sou assim e não mudo!!!


servindo um cálice de porto de vez em quando com aperitivos caragos e relatos de filmes de terror


agora passam todos os dias

na tv nos jornais nos rostos cinzentos...aqui no PUÊRTO...


mas o que eu "gosteifoi" daquele tempo perdido com as torres

mas não sabem...

vão ser criados


muitos e muitos

postos de trabalho...para a construção pelos escravos...para o oasis de só alguns...

quinta-feira, julho 28, 2005

diário (resumos...meus...)-12-história-QUIM (também conhecido...e apelidado muito carinhosamente de bandido...)



...
Devemos olhar as cores das bolinhas, e repousar no desenho que elas formam quando estão próximo. Podemos também tentar criar esculturas com bolas de sabão. Para isso será necessário separá-las sobre uma superfície molhada, e se experimentarmos soprar uma bola dentro da outra. É tão giro! Ainda podemos colocar uma ou duas gotas de vinagre, dizem que as bolas demoram mais tempo a estourar.

continua :))

quarta-feira, julho 27, 2005

diário (resumos...meus...)-11-história-QUIM (também conhecido...e apelidado muito carinhosamente de bandido...)


...
Esta é uma brincadeira que pode ser feita a qualquer hora, e que não precisa de material muito complicado. Só se precisa de um copo de plástico, água e detergente líquido. Na falta de detergente pode-se perfeitamente usar sabão em pó. Para fazer bolinhas, hoje em dia existem vários apetrechos, mas na falta destes, pode-se utilizar um simples canudinho de refresco, mergulha-se a ponta do canudo na água de sabão e sopra-se, pode-se experimentar a velocidade com que se sopra, fazendo assim, bolinhas de diversos tamanhos.

continua :))

sexta-feira, julho 22, 2005

diário (resumos...meus...)-10-história-QUIM (também conhecido...e apelidado muito carinhosamente de bandido...)


...
O cisne olha-o de soslaio e sorridente exclama: - Mas quem és tu e como te chamas? E porque queres voar? Eu sou o QUIM e quero voar para poder juntar-me à minha amada gaivotinha a Piko e podermos viver felizes o nosso amor...muito lindo...muito lindo...então queres ser o QUIM GAIVOTA? Diz-lhe o belo cisne. Pois bem, para isso vais ter que me contar como é que essa gaivotinha entrou no teu mundo...?!

QUIM, então começou a sua narração:

Um dia estava eu a brincar na minha sala de brincadeiras cor de pampilho e fui para a janela fazer bolinhas de sabão e passo a explicar:

continua :)

terça-feira, julho 19, 2005

diário (resumos...meus...)-9-história-QUIM (também conhecido...e apelidado muito carinhosamente de bandido...)




...
Assim, observava curioso as suas belas plumas!...e pensa que só poderá ser a fada que procura (elas às vezes estão transformadas em cisnes!...).
E, repara que ele está a alimentar as lágrimas, não tendo coragem de o interromper, deixando por isso as lágrimas saborear o seu belo petisco...

QUIM um pouco envergonhado (QUIM é um menino tímido) diz: mestre da magia, meu cisne encantado por favor utiliza as insígnias do teu poder, o teu anel, a tua varinha e ajuda-me a voar...só preciso de ter asas!

continua :))

segunda-feira, julho 18, 2005

diário (resumos...meus...)-8-história-QUIM (também conhecido...e apelidado muito carinhosamente de bandido...)




...
...Estava tão absorto nestes pensamentos que de repente se deu conta que estava perante uma rocha onde um vulto muito bonito estava sentadinho e de patas esticadas sobre a água de um lago que reflectia a lua.

Era um belo cisne!

(que o QUIM sabia ser uma ave imaculada, cuja brancura, e cuja graça fazem uma viva epifania de luz, e que a sua beleza deslumbrante e imaculada, é a virgem celeste que será fecundada pela água ou pela terra o lago ou o caçador para dar origem ao género humano e que simboliza a força do poeta e da
poesia ...também tinha lido isso nos seus livrinhos na sua biblioteca de muitas figurinhas :)).

continua :))

sábado, julho 16, 2005

diário (resumos...meus...)-7-história-QUIM (também conhecido...e apelidado muito carinhosamente de bandido...)






...
QUIM não se esquecia que tinha que ter sempre na sua mente que a partir do momento que entrasse no seu reino a última coisa que poderia fazer era sair correndo, face ao velho ditado relativo às fadas "...se tu não correres não serás perseguido!..." e ainda que era bom ganhar a sua confiança já que são criaturas extremamente sensíveis e facilmente se magoam e por essa razão devem ser chamadas em termos carinhosos, sem elevação de voz, nunca olhar para as plantas dos seus pés e nunca lhes arremessar coisas em sua direcção.

terça-feira, julho 12, 2005

diário (resumos...meus...)-6-história-QUIM (também conhecido...e apelidado muito carinhosamente de bandido...)






...
Teria que aprender, mas como? Tinha que se aproximar e suplicar-lhe que fizesse um esforço e que o ensinasse!

Iria começar pelos telhados mais baixinhos, pelos montes pequeninos e os postes de electricidade, pela varanda da Piko e transformar os braços em asas muito potentes e...e...arranjar fada madrinha que o transformasse em QUIM gaivota e então voar...voar até ao infinito com a sua amada.

Já imaginava a sua primeira aventura, iriam até ao SOL.

O QUIM também sabia que o Sol é irmão do arco-íris, a fonte da luz do calor e da vida e que os seus raios são influências celestes recebidas pela Terra.

Poderiam brincar ao escorrega num dos seus raios, talvez o 11º. O Sol tem 75 raios, a brincadeira poderia durar muitas horas...Tinha que procurar uma fada. Iria à montanha, floresta mágica, perto das fendas e torrentes, cascatas, perto de alguma gruta, de um abismo ou de um rio, nascente ou fonte, teria de a encontrar e suplicar-lhe que o ajudasse a voar e para isso seriam precisas as asas...

continua :))

segunda-feira, julho 11, 2005

diário (resumos...meus...)-5-história-QUIM (também conhecido...e apelidado muito carinhosamente de bandido...)




QUIM saiu de casa rumo ao local das gaivotinhas que já despertas pareciam pressentir seus pensamentos e o esperavam encantadas.

Olá minhas queridas! Vamos brincar à poesia?
Vamos brincar aos poetas?

A resposta não demorou e em altos grasnidos de entusiasmo saltaram, saltaram de tanto contentamento.

Para espanto de todos, apareceu na primeira fila a Piko (tão branca e delicada que parecia uma flor) e em cima de uma grande rocha e em bicos de patas disse:

Hoje
o sol espreitou
com sabor a música

bocejou...

largou sonhos azuis
de musgo
agarrados a montanhas
no infinito
de esperanças

e

raios quentes
aqueceram o meu principiar
de um dia
de imaginação
em esperanças
de gotas de orvalho
só a brilhar...

Dito isto, o espanto era geral, e todas as gaivotinhas bateram as asas em aplauso e QUIM um pouco rosado, olhava a Piko como se fosse um Romeu apaixonado pela sua Julieta.

Em pensamento e só em pensamento, achava que este poema era para si e que se tratava de uma verdadeira declaração de amor!

De facto e a verdade é que foi tocado por uma sensação inexplicável que não sabia entender, mas que pelo que já tinha estudado nos livros de histórias que todos os dias lia, poderia tratar-se de amor à primeira vista!

Meu Deus será que se apaixonou!

QUIM não conseguia adormecer...a Piko andava às voltas na sua linda cabecinha.

Relembrava a sua amiguinha e via a sua aura tão reluzente. Ele sabia que a aura era a pele da alma, que a envolve e a protege e lhe confere sensibilidade e que esta permite a passagem de correntes universais e trocas entre a alma humana e todas as criaturas, até às estrelas, tinha lido isso nos seus livros esotéricos...

Mas, como iria resolver este problema...nem sequer sabia voar!

continua :))

diário (resumos...meus...)-4-história-QUIM (também conhecido...e apelidado muito carinhosamente de bandido...)



...
O QUIM, aflito porque já era muito tarde, disse adeus às suas amiguinhas e correu até casa. As gaivotinhas voaram até o telhado da fábrica de conservas, cor de cal que ficava ali pertinho. Estavam tão felizes que adormeceram sem canção de embalar que Dona Antónia (gaivota muito velhinha) lhes costumava contar.

É de manhã, o céu está tão azul que se confunde com o mar, não tem nuvens e o sol espreita quente, quente, por entre raios tão ternurentos que apetece abraçar.

QUIM, à janela, pensa nas suas amigas e a forma de se aproximar com um motivo engraçado para passarem mais um dia que se adivinha doce.

E se fossem "dizer" poesia? A ideia era excelente mas seria que as gaivotinhas gostavam de poesia? E teriam jeito para escrever e "dizer" poesia?

continua :))

diário (resumos...meus...) -3-história-QUIM (também conhecido...e apelidado muito carinhosamente de bandido...)




...
Depois de um breve encontro e uma pequena conversa, convidou as amiguinhas para um jogo.Vamos brincar ao lenço queimado?

Todas responderam que sim. E o QUIM passou a explicar: as gaivotinhas tomam um lenço, fingindo que o queimam; depois vão escondê-lo, ficando uma com os olhos vendados, escondido o lenço descobrem os olhos à que ficou, esta vai procurá-lo.

Quando se aproximam do lugar onde o lenço está dizem as outras:

- Quente, quente.

Quando se desvia, dizem as outras:

- Frio, frio.

Quando descobrir o lenço, vai outra para o lugar.

Logo perceberam muito bem e jogaram até o pôr-do-sol que já se avistava ao longe entre montanhas cor-de-rosa.

(continua :))

quarta-feira, julho 06, 2005

diário (resumos...meus...) -2-história-QUIM (também conhecido...e apelidado muito carinhosamente de bandido...)




...
Fala com todas as gaivotas que encontra, a Luísa, gorda e de olhos tão brilhantes, tão brilhantes que soltam tanta luz que quase parecem estrelas a cintilar.

A Mimosa, elegante dentro das suas penas, muito limpas e também muito vaidosa e que só pensa em encontrar um namorado.

A Piko, muito bonita de sorriso maroto e toda ela subtil.

A Margarida, pequenina de bico amarelinho e um olhar muito doce.

A Catarina de asas cor de vento sempre a pensar em brincadeiras e sem tempo para estudar os ventos.

(continua...amanhã:))

terça-feira, julho 05, 2005

diário (resumos...meus...) -1-história-QUIM (também conhecido...e apelidado muito carinhosamente de bandido...)



Hoje e depois de pensar muito ...e mais uma vez agradeço ao Joaquim, porque indirectamente e sem o saber...me levou às gavetas do pensamento...e continua a fazer-me retirar ...cá para fora... "coisas"...agora...uma história de crianças...para adultos lerem que (já foi sofrendo alterações, de acordo com os estados de alma...) e que estou a escrever devagar conforme o apetite de criar...e que vou começar a passar para aqui aos poucos...
É dedicada ao meu Pai "Joaquim"e a todos os Pais "Quins" que também se transformaram em gaivota para poder voar...

DEDICATÓRIA I

Ao meu Pai a quem sempre desfolharei malmequeres...

em dias de v e n t o...

e aguardarei serenamente a resposta em
folhinhas

de querer...



Esta é a história do QUIM (também conhecido...e apelidado muito carinhosamente de bandido...)

O QUIM hoje levantou-se muito cedo.
Está de férias e pensa muito em brincar.
Só brincar!
Mas não encontra na sua linda cabecinha, nenhuma ideia que considere brilhante.
Pensa...pensa e torna a pensar...
E a sua imaginação voa até uma montanha cor-de-rosa onde há muitas gaivotas azuis e barcos de papel em lagos transparentes com peixinhos vermelhos a saltitar.
E aí começa a sua aventura:

(continua...amanhã :)))

diário (resumos...meus...) -6-

vidrinhos coloridos na memória...


...eram de vidro grandes muito grandes e também pássaros em vidros coloridos às vezes caíam no chão e faziam lágrimas nos meus olhos e ficavam aos milhares de vidrinhos que me encantavam o olhar a neve parecia algodão doce aos caracóis e com as luzinhas fazia um efeito de fogueira para onde aquecia o transe violento sair dali para o sonho havia cheiro a rabanadas únicas enfeitadas de aletria e paus de canela com uvas à mistura para contar os sonhos havia sentir havia sapatinho no fogão o mais bonito de verniz e muita espera e espreita sono não dormido e vem um dia apanhei mesmo o pai natal só restavam as mágicas bolinhas e os cheiros afrodisíacos mais a ternura doce que era o meu natal...

segunda-feira, julho 04, 2005

diário (resumos...meus...) -5-

O Principezinho...


...eu não quero ser como o embondeiro...a crescer e a engrossar a ponto de destruir o mundo secreto do sonho...a linguagem da poesia...a linguagem do amor...
...eu sei que "ele" morreu por tempo indeterminado...e um dia voltará...e por isso e por tudo o que me ensina todos os dias...está sempre na mesinha de apoio...pronto a ser o meu herói...

diário (resumos...meus...) -4-

...acordeão...

.........
..reparei que o acordeão daquele amigo simpático...continua a ser escutado pelas esquinas do Porto...
...há muito tempo...se é que o tempo conta...ou só se guardam os pensamentos...que se escreveram em determinado momento...e o tempo não fez apagar...porque se "esconderam" não nas gavetas do tempo...mas nos papéis que nem o tempo faz...rasgar...
...eu escrevi algo para esta personagem que me inspira muita ternura...hoje é um outro tempo...não escreveria decerto da mesma forma...nem seria este o meu estado de alma...mas também não tenho medo do tempo...e muito menos de assumir o que o tempo faz...depois de passar...

É cego
toca acordeão na esquina da minha melancolia

tem nos joelhos
a caixa das esmolas
do carinho
que não quero...inventar

esconde
por detrás das lentes
as ternuras que nunca viu...

e nas mãos brancas
e grandes
faz tremer os dedos
sôfregos
do amar

quando passo
...por momentos

danço no passeio
BEETHOVEN ao luar...

subo
às nuvens das minhas quimeras
e largo os pesadelos
em chuva
no outro lado de lá...

ultrapasso a barreira
do banco onde está sentado
e dentro dele...
ouço
o outro lado de cá...

tento reprimir
tento esquecer
tento não pensar
interrogo a pedra do passeio
que acabo de recalcar...

não sei onde estou
se quero ficar...

(1984)

diário (resumos...meus...) -3-

...loucuras divinamente selvagens...



...hoje o Sábado cheira a silêncios inquietos que lembram castanhas assadas...à porta de cemitérios... plantados de vestidos chiques e cheiros de flores que se misturam com ceras e gatos selvagens que dormem em granitos que olham as rolas que fazem espreitar os diospiros das cestas das vendedeiras... misturados com este despertar de Outono que me enlouquece ...aqui no Porto...

p.s. ...talvez a causa seja a chuva miudinha que apaga o fumo das luzes e o ...que fica pairando no ar meio perdido do assador de castanhas a anunciar...os finados...

domingo, julho 03, 2005

diário (resumos...meus...) -2-

histórias de encantar...


....ontem enquanto arranjava espaço...para dormir....sim porque é preciso espaço!...e o pensamento sempre em alta velocidade não quer deixar espaço!...
...e ao lembrar-me do "filhote" pequenino...com 3 anos e qualquer coisa...muito pouca...lembrei daquele dia de fim de tarde, por entre o entardecer e o laranja antes da noite!...de regresso do infantário e a caminho do lar...doce lar!...

...mamã!...mamã!
- diz: "almondegazinha"!

..."si eu fô au sinhô dótô e ele tilar esta língua e puseri outa língua eu falo fancêes?"

...não sabia se rir se chorar...mas muitas vezes me vem ao pensamento esta história de encantar!...

PS. ...ainda um outro dia de lua cheia...sem lobisomem...
...dizia o "filhotinho" apertado em mim... e quase agarrando o céu!...

....mamã eu quelo a lua!
......eu quelo a lua mamã!


...e os braços estavam tão esticados que parecia que uma pontinha dos dedos...quase lhe tocava...nos meus quereres é claro e porque ela a lua estava mágica...e muito pertinho do nosso querer...

diário (resumos...meus...) -1-

Hoje...apetecia-me sesta!


...
....estou no intervalo - almoço - e o apetecer sesta!...
Não sei se "este" apetecer quer fugir desta claridade de folha caída...soprada por tubos de mamona que fazem lembrar bolinhas de sabão...com quem apetece vo................a............r

- Releio uma entrevista de Joaquim Sapinho "A Guerra Civil do Coração" e passo a citar:

"...viver é viver com os outros, sem o amor como é que se vive com os outros? E depois é preciso a acção. Porque o amor confirma-se...Para vivermos temos de fazer qualquer coisa pelo amor. Não é só o amor por nós..."

E fico a pensar nos maços de tabaco vazios...com um sorriso que considero doce!...a espreitar o cesto de papeis...que não se deitam fora...

Ouvir Estrelas

"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muitas vezes desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto
A via-láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas."

(Olavo Bilac)

sábado, julho 02, 2005

Querer

Não te quero senão porque te quero
E de querer-te a não querer-te chego
E de esperar-te quando não te espero
Passa meu coração do frio ao fogo.

Te quero só porque a ti te quero,
Te odeio sem fim, e odiando-te rogo,
E a medida de meu amor viageiro
É não ver-te e amar-te como um cego.

Talvez consumirá a luz de janeiro
Seu raio cruel, meu coração inteiro,
Roubando-me a chave do sossego.

Nesta história só eu morro
E morrerei de amor porque te quero,
Porque te quero, amor, a sangue e a fogo.

Pablo Neruda

Anos Dourados no Porto...hoje...

Imponentes, os automóveis antigos são caracterizados pelo acabamento primoroso e detalhes cromados, destacados neste ensaio fotográfico de Arnaldo Alves.










quinta-feira, junho 30, 2005

...divinas e selvagens...não são sardinhas....são "arderes"...

...há momentos...que não são divinos...são selvagens..pelo silêncio que provocam no doer...que se transforma em outro silêncio...que talvez tenha nome...do nem estar a acreditar...e que leva a um profundo e outro...de...outro....silêncio...que se transforma em não criar...


P.S. ...há um ano estava assim....hoje estou...igual...:)))

terça-feira, junho 28, 2005

domingo, junho 19, 2005

Mikhail Naimy

Tranquei a porta de minha casa, e deixei aberta a porta de meu coração. Os ladrões não roubaram minha casa, mas roubaram meu coração.

segunda-feira, junho 13, 2005

..."A arte é uma expressão do belo e o artista um seu criador. Impossível abordar problemas da arte sem aflorar, mesmo que de passagem, e à maneira de introdução, um campo de conceitos no qual são talvez mais as perguntas que as respostas..."


A arte, O artista e a sociedade

ÁLVARO CUNHAL

O AMOR

Estou a amar-te como o frio
corta os lábios.

A arrancar a raiz
ao mais diminuto dos teus rios.

A inundar-te de facas,
de saliva esperma vidros.

Estou a rodear de agulhas
a tua boca mais vulnerável.

A marcar sobre os teus flancos
o itinerário da espuma.

Assim é o amor: mortal e navegável.


Eugénio de Andrade

domingo, junho 12, 2005

JARDIM DE PORTUGAL

Ecce crucem Domini.
Fugite partes adversa,
Vicit leo de tribu Juda,
Radix David. Aleluia, aleluia.

Todo o devoto de Santo António deve rezar
todos os dias as devoções acima mencionadas,
pelas muitas graças espirituais que em si encerram.

...já não te aguento melga...desliga a tv..

...lisboa a quatro cores...porque viver todos os dias cansa...

não... não era de paixão...em texto...eram palavras ...sorrisos.... de manel e maria ...digo ...e bárbara...mulher vestida ....de erotismo e filho D. dinis, digo... dinis...ao colo e também maria de nome...a saltitar... a chamar pelo pai ...ou papá ...digno de se... ver... e acreditar que Lisboa iria ...passar a ser uma lux... Maria em "jeteset" permanente...(penso que não foi filmado em guimarães...) e itinerante... nas suas revistas cor de rosa... daquele piroso a cheirar a filosofares ... de faca e alguidar...o quadro era dantesco ...só o safava aquilo que parecia um sótão onde espreitavam muitos livros entre madeiras foscas e atravessadas de barrotes ...mas daqueles barrotes... ficou aqui...um... na minha garganta
e quase... não me deixa... quase... gritar...mas ainda deixa...


...não brinquem com a minha inteligência...e repetir algo do Pedro Paixão...


P.S. "Fode-me a cona, mas não me fodas a alma," in O Porto a quatro cores em "Viver todos os dias cansa"

quarta-feira, junho 01, 2005

abrincarnoaindahojeemtempobreve...

euqueriacontinuarafazercasinhasinventar
salasdeestardarcomidinhaaogatoquenocestinho
roronaeadromeceosmeussentidos

quecadaescadafosseumcompartimentoparaonde

emigravaossonhodemeninaemetransformava
emmulherdefazdecontaembalandoasbonecasdetrapos

imaginandoosfilhosqueumdiairiaamamentareajudar
asobrevivernestasociedadequeaindaeracheiadepoesia
ecoresdoarcoíris